Política

Casagrande vai apresentar nova proposta a servidores do Estado

Foto: Hélio Filho/Secom

Governador se compromete a reavaliar reajuste após categoria rejeitar índice de 4% em reunião com o Sindipúblicos

O governador Renato Casagrande (PSB), se comprometeu a apresentar uma nova proposta de reajuste salarial aos servidores estaduais após reunião realizada nesta quarta-feira (11) com a diretoria do Sindipúblicos. O encontro ocorreu depois de a categoria rejeitar o percentual de 4% oferecido pelo governo na campanha salarial deste ano.

Segundo a presidente do sindicato, Renata Setúbal, o governador já tinha conhecimento da rejeição, mas ouviu durante a reunião os argumentos da entidade em defesa da reestruturação das carreiras e da recomposição salarial. Casagrande afirmou que irá se reunir com a equipe técnica da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) na próxima semana para avaliar possíveis ajustes na proposta inicial.

“Foi a primeira vez que o governador recebeu diretamente a entidade neste ciclo de negociações”, destacou Renata, avaliando o encontro de forma positiva.

A principal reivindicação da categoria envolve a reestruturação das carreiras e a redução das disparidades salariais entre os níveis. De acordo com o sindicato, as distorções se aprofundaram após 2022, quando houve uma reestruturação que concedeu reajustes maiores aos servidores de nível superior, ampliando o desequilíbrio interno.

Os servidores defendem a retomada do equilíbrio remuneratório anterior e afirmam que as perdas salariais acumuladas ultrapassam 50%, o que exigiria um percentual superior aos 4% inicialmente propostos pelo Executivo.

A diretoria do Sindipúblicos também pleiteia a inclusão dos servidores da educação na nova proposta. O diretor Tadeu Guerzat argumentou que, apesar de a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) concentrar um dos maiores orçamentos do governo, os profissionais da área apresentam um dos menores salários médios entre as carreiras do Executivo.

Durante a reunião, Casagrande ponderou que, embora o Estado viva um momento de crescimento econômico, qualquer reajuste precisa ser analisado com cautela para evitar impactos futuros nas contas públicas e no sistema previdenciário. O governador destacou ainda que a legislação do Fundeb impede a utilização de recursos da educação para pagamento de aposentadorias, o que limita a margem de valorização.

Apesar das divergências, lideranças sindicais avaliam que houve sinalização de avanço nas negociações. “Quando o governador atende, na maioria das vezes, é para trazer solução”, afirmou Renata.

O calendário eleitoral também pressiona as tratativas. A partir de abril, entram em vigor restrições legais para concessão de reajustes salariais a servidores públicos em ano eleitoral, o que reduz o prazo para um possível acordo. Na última semana, representantes do sindicato abordaram o governador durante a abertura dos trabalhos legislativos na Assembleia Legislativa, em mobilização organizada pela categoria.

A reivindicação do Sindipúblicos vai além do reajuste linear e tem como foco central a reestruturação da tabela salarial. Segundo a entidade, antes de 2012 havia uma proporção entre os vencimentos: servidores técnicos recebiam cerca de 70% do salário do nível superior, enquanto o nível médio correspondia a aproximadamente 50%. A concessão de reajuste exclusivo ao nível superior naquele período teria ampliado a disparidade.

De acordo com o sindicato, a proposta de reestruturação defendida pela categoria teria impacto estimado em 1,1% na folha de pagamento do Estado, enquanto a proposta governamental representaria 0,14%.

A categoria aguarda agora a formalização da nova proposta para definir os próximos passos da campanha salarial. Caso os termos não atendam às expectativas, novas assembleias e mobilizações poderão ser convocadas.

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